Projeto social de Foz do Iguaçu emplaca seu primeiro atleta olímpico

Projeto social de Foz do Iguaçu emplaca seu primeiro atleta olímpico

Revelado pela ação Meninos do Lago, parceria da Itaipu com a Federação Paranaense de Canoagem, Felipe Borges é o pioneiro do projeto paranaense nos Jogos. Trabalho na Fronteira tem ainda Ana Sátila

  • Rio de Janeiro

Felipe Borges se encontrou na canoagem aos 13 anos, por incentivo da mãe. | Albari Rosa/Gazeta do Povo

Felipe Borges se encontrou na canoagem aos 13 anos, por incentivo da mãe. Albari Rosa/Gazeta do Povo

Desde que o filho se classificou para a Rio-2016 no mês passado, na última etapa da Copa do Mundo de canoagem slalom, na França, o taxista Auri Borges fala com orgulho para todos os passageiros que transporta em Foz do Iguaçu: “Meu filho está na Olimpíada”.

O orgulho tem motivo. Aos 21 anos, Felipe, é o primeiro atleta formado no projeto social Meninos do Lago – parceria da Hidrelétrica de Itaipu e da Federação Paranaense de Canoagem – a se classificar para os Jogos Olímpicos. O objetivo da ação é levar crianças carentes da rede municipal de ensino para treinar e, consequentemente, formar novos atletas.

CANOAGEM: saiba mais sobre o esporte

Ele e Ana Sátila, mineira criada no Mato Grosso, mas radicada na Tríplice Fronteira há cinco anos, vão representar o Paraná na modalidade, cujas provas começam quarta-feira (7), no Parque Radical de Deodoro.

Para tentar controlar o comportamento do filho, a mãe de Felipe, Isolde Borges, o pôs para treinar vários esportes. Futebol, atletismo, basquete, vôlei: em nenhum o menino se acertava. Até que aos 13 anos se encontrou na canoagem. “Se não fosse o Meninos do Lago, talvez eu teria tentado a sorte em outro esporte. Mas não sei se chegaria tão longe, como em uma Olimpíada”, afirma o canoísta da categoria K1 (caiaque individual) que após obter o índice na última etapa da Copa do Mundo, em julho, tatuou no braço os arcos olímpicos.

O maior significado de minha classificação para a Olimpíada é ser espelho para os integrantes do projeto [Meninos do Lago].

FELIPE BORGEScanoísta brasileiro

Felipe considera o projeto mais do que essencial para se tornar atleta. Sem ele, a família dele não teria condições de gastar cerca de R$ 15 para ir voltar dos treinos todos os dias. Tanto que o atleta espera se tornar exemplo para os outros 100 garotos que treinam no projeto. “O maior significado de minha classificação para a Olimpíada é ser espelho para os integrantes do projeto”, confia.

Sátila

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Após ser a mais nova atleta brasileira em Londres-2012, Ana Sátila vai para a segunda Olimpíada no Rio.Albari Rosa/Gazeta do Povo

Ana Sátila, que ocupa a quarta colocação do ranking mundial do K1 (prova individual do caiaque), treinava natação na infância. Aos 9 anos, a convite de um professor no clube em que nadava, foi para a canoagem, para desgosto inicial do pai, que competia em provas de natação. “No começo ele não gostou. Depois, foi até aprender do esporte para me ajudar no treino”, lembra.

Quando surgiu o convite para treinar em Foz, base da seleção brasileira de slalom, Ana tinha apenas 15 anos – ano seguinte, foi a atleta mais nova da delegação brasileira nos Jogos de Londres-2012. Pela pouca idade, a família impôs uma condição para a canoísta se mudar: a mãe, Marcia Helena, teria de ir junto.

Assim, a Confederação Brasileira de Canoagem (CBCA) acabou contratando Marcia para trabalhar na governança na pousada dos atletas. Na sequência, as duas irmãs também se mudaram para Foz – a mais nova, Almira, segue os mesmos passos e foi 16.ª colocada no último Mundial júnior.

“Sem minha família em Foz, seria tudo muito mais difícil. Eu acho que até chegaria à Olimpíada, mas com muita mais dificuldade”, afirma Ana, que também é sargento da Aeronáutica, dentro do projeto com atletas de alto rendimento das Forças Armadas.

Do técnico da seleção, o italiano Ettore Ivaldi, os dois arrancam elogios. “A Ana é o atleta que todo treinador quer ter, do tipo que tem que mandar parar de treinar”, afirma. “Já o Felipe é um garoto com muita margem para crescimento no esporte”, completa.

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