De 24 a 30 de agosto, a charmosa cidade francesa Aix-les-Bains, que fica localizada em uma região conhecida como “estação náutica” devido às inúmeras fontes termais que são muito bem aproveitadas principalmente no verão para atividades aquáticas, recebeu o encontro mundial de remadores afetados pelo câncer de mama no evento denominado “2026 IBCPC Participatory Dragon Boat Festival”. As diversas atividades culturais e esportivas aconteceram às margens do “Lac du Bourget”, que é o maior lago glacial natural da França,
Com o impressionante registro de 4.500 pessoas cadastradas entre atletas homens e mulheres vitimados pelo câncer de mama, treinadores, palestrantes e organizadores o evento acabou sendo considerado o maior festival IBCPC de todos os tempos, com a participação de 141 times completos e outras 29 equipes incompletas.

Para quem não conhece o IBCPC significa “International Breast Cancer Paddlers Comission” que na verdade se trata de uma organização internacional cuja missão é incentivar a criação de equipes de canoagem em barco dragão (Dragon Boat) para mulheres com câncer de mama, dentro de uma estrutura de participação e inclusão. O Instituto apoia o desenvolvimento da canoagem recreativa como uma contribuição para um estilo de vida saudável para pessoas diagnosticadas com câncer de mama.
À medida que o movimento de canoagem em barco dragão para o câncer de mama cresce internacionalmente, o Instituto tem a oportunidade de aumentar a conscientização sobre a doença e sobre a vida após o câncer de mama. Essa organização internacional sabe que uma vida plena e ativa é possível. O IBCPC foi criado para disseminar essa mensagem.
Fazer parte do IBCPC significa oferecer às sobreviventes de câncer de mama a oportunidade de se conectar com equipes internacionais. Isso permite que as equipes compartilhem informações, recebam boletins e atualizações regulares, além de compartilhar as melhores práticas com outras equipes interagindo com outros remadores ao redor do mundo.
Esse movimento começou na Universidade da Colúmbia, em Vancouver, no Canadá, no ano de 1996 com o Dr. Don McKenzie, professor do Departamento de Medicina Esportiva e fisiologista do exercício, o qual desafiou a visão médica predominante de que mulheres tratadas para câncer de mama deveriam evitar exercícios rigorosos para a parte superior do corpo por medo de desenvolver linfedema, um efeito colateral debilitante e crônico do tratamento.
Dr. McKenzie desenvolveu um programa para determinar o impacto do exercício em sobreviventes de câncer de mama, escolhendo a canoagem em barco dragão como o exemplo máximo de exercício intenso e repetitivo para a parte superior do corpo. Ele treinou vinte e quatro voluntárias com câncer de mama em uma academia durante três meses, apresentou-lhes os barcos dragão e ensinou-lhes técnicas de remada. Ao final da temporada de três meses na água, nenhuma das voluntárias apresentava linfedema.
Além disso, as sobreviventes descobriram que estavam mais em forma, saudáveis e felizes. Elas adoraram a camaradagem e o apoio de suas companheiras de canoagem. Perceberam que a canoagem em barco dragão poderia se tornar um meio de aumentar a conscientização sobre o câncer de mama e mostrar que as sobreviventes podem levar vidas normais.
Essa atividade se tornou uma terapia de reabilitação para dezenas de milhares de mulheres e homens ao redor do mundo que foram diagnosticados com câncer de mama. Hoje são 320 equipes membros do IBCPC, de 37 países de todos os continentes. Todas essas equipes não tem como premissa o caráter competitivo, pois não é esse o objetivo principal do movimento das “Remadoras Rosas”, que ficou conhecido em todo o mundo. O maior objetivo do Festival é a participação das equipes de remadoras como comprovação inequívoca da reabilitação pós-diagnóstico de câncer de mama.
Além disso juntar todas as pessoas envolvidas faz parte da conexão, força, tenacidade, inclusão, fraternidade, alegria, inspiração que estão muito bem definidas como os principais valores do próprio movimento que poderão ser encontrados em https://www.ibcpc.com/our-values/. Segundo o IBCPC: “Fazer parte desta organização é fazer parte de algo maior do que si mesmo”.
No evento aconteceram conferências médicas, troca de informações, experiências e a apresentação de um filme que retrata a aventura de mulheres de todas as origens que se reuniram por 15 dias no Rio Loire para remar 750 quilômetros.
Screen to Scene – United Ladies movie trailer
O que elas têm em comum é uma jornada de vida confrontada com o câncer de mama e a decisão vitoriosa de superar a doença com muita força de vontade e garra. O que as une atualmente é o desejo de viver e compartilhar. O desafio esportivo se torna uma desculpa para escapar da vida cotidiana e das cidades para se reconectar com a natureza e umas com as outras.
Mas onde entra a competição esportiva propriamente dita nesse evento?
Dificilmente a IBCPC modificará seu foco e missão, de forma que eventos competitivos que exigem o alto rendimento será sempre de interesse e natureza das entidades nacionais e internacionais ligadas ao esporte, como é o caso da Federação Internacional de Canoagem e das diversas federações com suas respectivas filiadas. O IBCPC segue dentro dos limites devidamente abalizados pelos estudos do Dr. Don McKenzie, que não se preocupou com o alto rendimento esportivo, mas única e tão somente com a atividade física para um grupo específico de mulheres.
Isso não significa dizer, entretanto, que não se admite as práticas competitivas. Muito pelo contrário, as competições cada vez mais frequentes que envolvem o público-alvo do IBCPC, dignificam e corroboram que o tratamento sugerido pelo idealizador das atividades é, de fato, extremamente eficaz. Portanto, muito embora as medalhas e troféus não devam ser o objetivo principal dos participantes, é evidente que tais símbolos tem valor emocional e simbólico de suma importância pois dessume-se que houve:
- Esforço e Dedicação: Resume horas de treinos intensos, abdicação e disciplina.
- Superação Pessoal: Marca a vitória contra barreiras físicas e mentais do próprio atleta.
- Legado: Funciona como um registro histórico de uma jornada que pode ser lembrada por gerações.
E com todos esses objetivos, atletas do Instituto Meninos do Lago – IMEL se juntaram outras Remadoras Rosas de clubes distintos para formarem o Time Meninas Lua Flor que acabaram representando o Brasil no maior evento já realizado do IBCPC.

E não fizeram feio, em uma das várias finais realizadas acabaram ficando com a segunda classificação deixando bandeiras poderosas para trás.

Que venham novas competições e muitas outras visitas ao Hospital Itamed. Enquanto a Itaipu Binacional permitir, o Dragon Boat estará sempre alvissareiro navegando por suas águas que transformam energia em ouro, prata e bronze em todos os cantos da canoagem existentes no mundo.

