Mensagem Final

Não há dúvidas que nossas vidas são marcadas por ciclos completamente distintos. Segundo o monumental “cantor” Chico Buarque em sua inesquecível obra Roda Viva, ele diz que:

Tem dias que a gente se sente

Como quem partiu ou morreu

A gente estancou de repente

Ou foi o mundo então que cresceu

A gente quer ter voz ativa

No nosso destino mandar

Mas eis que chega a roda-viva

E carrega o destino pra lá …….

FASE 1

Confesso que escrevo esse texto com certo embargo na garganta pois o meu encanto com a canoagem na Itaipu Binacional iniciou em 1995, quando o então Governador Jaime Lerner anunciou que faria os Jogos Mundiais da Natureza, na Cidade de Foz do Iguaçu.

Ao explanar sobre o planejamento estratégico desse evento, o arquiteto e urbanista Jaime Lerner, teceu com alguns detalhes a construção do Parque da Barragem inserido no pátio da maior hidrelétrica do mundo que serviria para o fim ambiental, para a prática do turismo através de passeios de rafting e para o uso em eventos desportivos da canoagem. Para este local estavam previstas as competições de Rafting e Canoagem Slalom dos Jogos Mundiais da Natureza no ano de 1997.

O histórico mais completo sobre os verdadeiros objetivos do Estado do Paraná em financiar todo o Complexo do Canal da Piracema, você poderá encontrar no seguinte link

http://www.institutomeninosdolago.com.br/arquivos/ckfinder/files/hist%C3%B3rico%20projeto%20meninos%20do%20lago%20e%20canal%20itaipu.pdf

Infelizmente, porém, o Canal de Águas Bravas não ficou pronto para esse histórico evento desportivo por uma infinidade de motivos, sendo entregue para a Itaipu apenas em dezembro de 2002 com enormes alterações no escopo licitado e sem as pedras necessárias para formar as turbulências no leito inerentes ao esporte. Tive a honra de ter sido convidado para estar presente junto ao saudoso Presidente João Tomasini na entrega da obra pelo então Governador Jaime Lerner para a Itaipu Binacional, na oportunidade representada por Jorge Samek.

Mais tarde fomos apresentados ao Superintendente de Comunicação Gilmar Piolla que junto ao Jorge Samek, foram os dois grandes responsáveis por quebrarem as enormes barreiras existentes pela Segurança Empresarial e até mesmo por modificar completamente a própria Visão da Empresa que até então era somente produzir energia para o Brasil. Tenho convicção que não foi nada fácil para os dois bancarem o esporte da canoagem no início, pois eram enormes os desafios internos.

Iniciamos então a negociação junto ao Município de Foz do Iguaçu, através do Secretário de Obras, Ruberlei Santiago, para a instalação das rochas dentro do Canal de Águas Bravas. Apenas em janeiro de 2006 conseguimos viabilizar a finalização do Canal.

Acostumado com as difíceis realidade do esporte, sempre de forma muito amadora, sem nenhum conhecimento técnico compatível com o padrão de exigência da Itaipu Binacional, acabei levando inúmeros puxões de orelhas dos engenheiros da Empresa, os quais, de forma acertada, porém bastante rude, fizeram com que aprendêssemos na marra a sermos minimamente “organizados”. Foi aqui que encontrei dois profissionais marcantes. Ademar Sérgio Fiorini engenheiro que integrou a equipe de projetos da fundação da Itaipu Binacional. Sem dúvida, um dos maiores profissionais que já passaram pelos quadros da Empresa. Sabia tudo sobre qualquer parte estruturante do Canal da Piracema. Aprendi muito com ele sobre os principais conceitos e a forma de operação das comportas. Era um grande torcedor e aliado para que o esporte fosse realmente introduzido na Empresa.

Outro engenheiro que no modo dele nos exigiu o crescimento profissional foi Andreas Arion Schwarz. No início completamente cético que conseguiríamos ingressar na Empresa assim como a enorme maioria dos funcionários. Um dia me confessou que sempre duvidou que a Confederação Brasileira de Canoagem ocupasse o Canal da Piracema, pois éramos muito amadores e sem condições financeiras para seguir o padrão de excelência da Itaipu Binacional. Depois de alguns embates onde acabou percebendo que buscávamos de toda forma seguir as suas orientações e a buscar soluções, acabou se rendendo ao esporte e nos auxiliou muito até a sua aposentadoria. Até hoje acho que foi dele a iniciativa de uma ponte no meio do canal, fundamental para a parte técnica. De repente essa ponte chegou….(juro que eu não teria coragem de ter solicitado a ele e o mesmo tampouco me disse quem foi o responsável. Jeito alemão de ser). Em outra oportunidade tivemos um acidente grave com um atleta da seleção brasileira que acabou sendo atropelado em um dos cruzamentos da cidade. Foi Andreas quem direcionou toda a assistência no Hospital Costa Cavalcanti. Posso dizer que ele foi também responsável por salvar a vida desse atleta.

Estas pessoas foram os principais colaboradores e os grandes responsáveis pelo êxito da primeira fase da canoagem em Foz do Iguaçu. Claro que existiram outros tantos que sempre nos apoiaram, principalmente dentro da Itaipu Binacional, mas os personagens principais que alavancaram o esporte para o Brasil, foram eles, os quais guardo enorme gratidão.

Em 2005, com a finalização do Canal, parece que a Roda Viva mudou de fato o meu destino para Foz do Iguaçu. O tempo rodou num instante nas voltas do meu coração e a necessidade de alguém da Confederação Brasileira de Canoagem por perto, como uma das exigências da própria Itaipu Binacional, para resolver qualquer problema que houvesse com os atletas da Seleção Nacional de forma imediata e ágil, fez com que eu abdicasse da minha família e da minha vida profissional a fim de coordenar o Projeto que seria o mais importante da Entidade naquele momento, implantado em parceria com a maior hidrelétrica do mundo.

Renunciei ao convívio de meus pais, meus irmãos, tios, primos e à minha vida profissional para construir um sonho que era a de transformar uma disciplina olímpica no Brasil em outro patamar competitivo. Antes da parceria com a Itaipu a Canoagem Slalom brasileira era simplesmente “nada” no mundo.

Roda mundo, roda-gigante

Rodamoinho, roda pião

O tempo rodou num instante

Nas voltas do meu coração

FASE 2

Em 2006 mudei para Foz do Iguaçu e aqui começa uma segunda fase dentro da Itaipu Binacional. A fase dos eventos desportivos. Nesse momento “trombo” de frente com dois coronéis: Coronel Roger Abib Zattar e Coronel Alexandre Cardoso. Militares, acostumados e estruturados para não deixar ninguém se aproximar da Barragem. Como fazer para ganhar a confiança dos mesmos e inserir a ideia de que Itaipu Binacional é uma obra prima da engenharia moderna e os seus feitos espetaculares deveriam ser conhecidos por todos, a começar pelo Canal de Canoagem.

Novamente! Não fosse a disposição e coragem dos senhores Jorge Samek e Gilmar Piolla, jamais teríamos conseguido. Mudar o sistema de acesso de entrada dos canoístas, dar a eles autonomia para treinos em qualquer dia da semana e permitir acesso de público para assistir eventos eram dogmas inabaláveis e inconcebíveis dentro da Empresa. Não foi fácil superar. Porém, embaixo de muitos puxões de orelhas, conseguimos não só a parceria com a Segurança Empresarial, como também o Coronel Alexandre passou a ser um grande colaborador e incentivador de vários outros esportes dentro da Itaipu Binacional. Em diversos eventos organizados por ele a canoagem colaborou com a segurança aquática e com a cessão de equipamentos. Essa amizade e parceria continua até hoje e talvez seja o setor da Itaipu Binacional mais próximo e acessível do Instituto Meninos do Lago.

Nesses longos anos modificamos o cenário esportivo da Canoagem Slalom brasileira realizando os seguintes eventos de nível NACIONAL e INTERNACIONAL no Canal Itaipu:


1. 2006/MAIO- Campeonato Brasileiro de Canoagem Rodeio e Seletiva Nacional;



2. 2007/MARÇO-CAMPEONATO PAN-AMERICANO & PRÉ-MUNDIAL


3. 2007/SETEMBRO- CAMPEONATO MUNDIAL SÊNIOR – SELETIVA MUNDIAL JOGOS PEQUIM


4. 2008/junho – campeonato brasileiro de rafting


5. 2009/junho – campeonato brasileiro de rafting


6. 2009/julho – copa sul-americana


7. 2010/março – seletiva nacional de canoagem slalom


8. 2010/agosto-campeonato pan-americano de rafting


9. 2010/agosto-campeonato brasileiro de iniciantes


10. 2011/março-seletiva nacional canoagem slalom


11. 2011/agosto-campeonato brasileiro de rafting


12. 2011/agosto-campeonato brasileiro de iniciantes


13. 2012/fevereiro-seletiva nacional de canoagem slalom


14. 2012/agosto-copa brasil de canoagem slalom


15. 2013/outubro-campeonato brasileiro de canoagem slalom


16. 2014/agosto-campeonato mundial de rafting


17. 2015/abril-campeonato mundial de canoagem slalom jr & sub23


18. 2015/maio-copa brasil de canoagem slalom


19. 2016/outubro-campeonato brasileiro da 1ª e 2ª divisão


20. 2017/maio-copa brasil


21. 2018/outubro-campeonato brasileiro 1ª e 2ª divisão


22. 2019/outubro-campeonato brasileiro da 1ª divisão e copa brasil da 2ª divisão


23. 2022/outubro-jogos sul-americanos asu2022

Será que alguém consegue imaginar a tensão da Segurança Empresarial diante dos primeiros eventos? Imagine se algo tivesse acontecido de muito grave a repercussão política negativa que o fato poderia gerar. Samek e Piolla apostaram no sucesso e venceram ao ponto de uma única matéria no FANTÁSTICO com o Ator Cauã Reymond, que esteve presente em um dos nossos eventos, render 15 minutos de lindas imagens para Foz do Iguaçu, algo que na época seria impensável como matéria paga para a própria Comunicação da Itaipu Binacional.

A canoagem trouxe várias e várias horas de SPORT TV, sendo que alguns eventos foram transmitidos ao vivo também para a Europa. Por tudo isso não há dúvidas que colaboramos para o retorno de mídia e auxiliamos o turismo em Foz do Iguaçu como um todo, pois além da exposição midiática os atletas internacionais permaneceram em Foz por período médio de 15 dias. Só no Mundial de 2007 forma 65 países e quase 300 atletas. De lá para cá, a Itaipu Binacional abriu suas portas e se transformou em mais um grande receptivo para Foz do Iguaçu e tudo começou graças à coragem de duas feras: Samek e Piolla.

Foi nesse período também que consegui montar uma superequipe de trabalho que foi fundamental nas prestações de contas e na organização que os profissionais da Itaipu me cobravam incisivamente. Não posso deixar de mencionar a “Generala” Clevenice, que pôs ordem no barraco, contratei e acabei levando dela também diversas broncas. Essa

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