Olha que legal

No dia 11 de agosto, a equipe de biólogos da Divisão de Reservatórios da Itaipu, comandada pela Caroline Henn, promoveu atividade de soltura de peixes com a participação dos jovens atletas do Projeto Social Esportivo Meninos do Lago. Nessa oportunidade foram soltos 200 pacus devidamente marcados com um material especialmente fabricado para esse propósito que permite ao pescador comunicar a Itaipu Binacional sobre o local onde o exemplar foi recapturado e assim, embasada em evidências científicas e testemunhais, a Empresa ter condições de avaliar se o sistema e as suas ações ambientais estão sendo realmente eficazes.

E não é que um dos peixes soltos pelo jovem Heitor, atleta de apenas 9 anos, foi capturado na Argentina, a 144 km da barragem. O exemplar da espécie pacu medindo 40,5 cm, desceu pelo canal e nadou entre o Brasil e Paraguai, até alcançar a Cidade Argentina de Eldorado no dia 23 de setembro. Em 44 dias o peixe se deslocou 144 km o que sugere uma média de movimentação de algo em torno de 3 km por dia. Claro que não é esse o cálculo correto, pois o peixe pode ter nadado muito mais quilômetros em um determinado dia que em outros, porém é uma informação importante que deverá ser levada em conta para estudos posteriores. O pescador entrou em contato com a Itaipu através do número de WhatsApp encontrado na marca e como brinde ganhou uma lanterna especial para as suas pescarias noturnas.

Para o Professor Angel Sanchez, o fato das crianças estarem inseridas neste importante contexto ambiental é por si só muito marcante e alguns desses pequenos atletas estarão desenvolvendo a consciência ecológica que é de fundamental necessidade para a prática do esporte por eles escolhidos:

“O que se busca na prática da canoagem é o convívio com o meio ambiente preservado. O canoísta deve ser um defensor da natureza, aprendendo a respeitá-la assim como as mais diversas espécies de animais que habitam estes locais. Na Itaipu Binacional temos o privilégio de estar trabalhando em um dos mais importantes polos de estudos da ictiofauna do mundo e oxalá esse nosso Canal Itaipu um dia possa ser considerado como o modelo ideal para a preservação da piracema com o devido compartilhamento esportivo, social e educacional e se transforme em obrigação dos novos empreendimentos através de leis ambientais”.

Esse programa de marcação de peixes começou no ano de 1996, exatamente no início da construção do Parque da Barragem idealizado pelo então Governador do Paraná, Jaime Lerner. Os especialistas da Itaipu Binacional objetivavam conhecer a rota e o deslocamento de peixes migradores. Hoje a marcação serve também como importante ferramenta para avaliar todo o sistema de transposição que é o maior em extensão e desnível do mundo atendendo cerca de 17 espécies migratórias de longa distância. No ano de 2009, porém, a Empresa começou a implementar a marcação com sistemas eletrônicos e de lá para cá, mais de 14.000 peixes foram marcados.

Comprovadamente o canal é uma ferramenta importante para a troca de material genético das populações que foram isoladas após a construção da barragem e vários registros já foram feitos como, por exemplo, uma piapara recapturada no Rio do Peixe, no Estado de São Paulo, a mais de 650 km, superando o Canal da Piracema, o reservatório, toda a planície do Rio Paraná, subindo a escada de peixe da Hidrelétrica de Primavera em apenas três meses. Outro fator importante foi a chegada de peixes marcados na usina de Yacyretá, 450km rio abaixo, e a recaptura de peixes marcados há mais de 4 anos, que haviam sido soltos com 800g e foram recapturados com quase 9kg.

Para obter as informações necessárias para os estudos a Itaipu brinda com prêmios os pescadores que repassem, de forma correta, as informações sobre os peixes marcados. Os prêmios normalmente são:

  • Camiseta de pesca com proteção UV
  • Capa de chuva (modelo motoqueiro)
  • Bolsa térmica ou lanterna
  • Tábuas de churrasco, chapéus ou puçás

Como funciona a premiação?

O pescador que fisgar um peixe com a etiqueta do projeto pode escolher se deseja ficar com o peixe ou devolvê-lo à água. De qualquer forma, ao relatar os dados da captura, ele recebe um brinde/prêmio útil de utilidade prática para a atividade.

O que deve ser informado?

Para receber a recompensa, o pescador precisa entrar em contato com a Divisão de Reservatórios da Itaipu e fornecer as seguintes informações:

  1. O número da etiqueta (marca) encontrada no peixe.
  2. O local e a data exata da captura.
  3. O peso e tamanho do peixe (se possível, envie uma foto do peixe com o marcador).

Canais de contato para resgate:

  • Telefone (Brasil): 0800 645 2002 (Ligação gratuita) ou WhatsApp +55 (45) 98803-0859.
  • E-mails oficiais: chenn@itaipu.gov.br.

Esses dados ajudam cientistas do G1 Oeste e Sudoeste e da própria usina a entender as rotas de deslocamento e a eficiência do Canal da Piracema.

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